domingo, 1 de novembro de 2009

Beijando-a em uma taça de cristal.

Uma parte do teu corpo que eu sentia aqui tão perto de mim, do meu coração e tomava conta da minha mente, eu pude sentir você aqui tão perto. Simplesmente pela luz do sol que misteriosamente incidia neste cristal de curvas e linhas absolutamente chamativas, fazendo transparecer uma beleza em exponencial onde misteriosamente se delata os mais divinos louvores. O tom loiro ouro que esvoaça ao sabor dos ventos e o verde infindo dos olhos daquele vasto campo de videiras criam um espaço, um mundo, um cenário em que se sonha viver, e todo este conjunto, que se torna perfeito, enlaçam o impossível.
A impossibilidade de voltar ao tempo algumas horas em alguns instantes, ligeiramente essenciais para apreciar-te.
Uma taça, de cristal, imponente e de magnificente beleza que são incontestáveis e incomparáveis, apresenta-se inicialmente gélida, como os primeiros flocos de neve em uma manhã de inverno russo, entretanto tão doce como o sorriso de quem a ostenta.
Tão segura, pois se exibe em tua pose e postura de elevado nível econômico-social, entretanto, simultaneamente tão frágil, pois deságua em si própria todas as emoções que quisera um dia realmente sentir. Onde nenhum crítico, sendo este dos mais renomados, poderia descobrir. Quisera esta voar sob mais límpidos céus, nadar pelos mais profundos oceanos, se afogar completamente em um amor. E derrama-se em pranto, em um pranto tinto, caloroso e vivo, entretanto poucos apresentam os olhos para voar, os lábios para se afogar, e o sentimento para perceber este pranto e afagar esta taça de cristal. Que muitas vezes cai em estilhaços praticamente irrecuperáveis.
A ousadia deste vinho contido nesta taça, vinho tinto, como o sangue presente na vida, hipnotiza com uma sensualidade de imaginações e de aromas de mais belos perfumes, da mais perfeita safra, talvez assim comprova-se que do gélido amor que acolhe as videiras, deixando as tuas uvas esbranquiçadas e sufocadas por este abraço mais que sonhado, faz-se surgir o mais vivo e intrépido vinho. Enigmático tal qual a imagem desta taça que o preserva. Que o pulsa, que o faz viver.
Todo o calor, o fulgor deste vinho acolhe o corpo por inteiro, invade e transforma em vida o que se encontrava morto, em cor o que se escurecera, em sorriso o que se entristecia e em amor o que se esquecia. Fazem daqueles que são bobos e temem em dizer sobre o amor, realmente e literalmente tremer por um único suspiro que seja. Caso contrario, o voar, o beijar e se afogar, nada disso valeria.
São frases soltas em um caldeirão, ou melhor, em uma taça de emoções, delicadamente em um tom tinto de amor, com a suavidade de todas as essências do querer, totalmente fora do controle da razão e que se inspira nas diversas manifestações profundas do inconsciente e mesmo não gostando muito destas palavras, seja este como um ato de viciar-se em um delicioso degustar, com uma sinestesia completa de sentir o sabor deste vinho, simplesmente beijando-a.