sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Um Dia de Pesca.

Os momentos que antecedem a esta cena são tão efêmeros quanto os sucessores sentimentos recorrentes.
Nascem por meio de indecisas e insensatas fendas, os traços, rabiscos e por que não as gravuras, que se iluminam com as cores incandescentes que pingam de um abismo por um tanto quanto escuro, tais pingos escorrem por meio destas delimitações formando assim um cenário único, místico, confortável. Surreal, real, e sonhável.
Há um céu, repleto de todas as nossas maiores conquistas, melhores situações e sensações, ali iluminando-nos algo que consideramos o nosso sol, uma amada, um ídolo, uma pessoa, coisa, sentimento, o amor, ou mesmo apenas o sol, um brilho incomum, irreal ofuscante, caloroso.
Ao meio e imersos neste céu,deslizando como se voassem, todas as nossas alegrias, as faces de algumas pessoas como nuvens, alguns sentimentos como gaivotas em seu bando que dão um toque todo característico ao cenário.
Os pingos de luz que colorem em vida e com brio toda a essência desta imagem escorrem e como uma gota de lágrima que desce como uma avalanche em nossas faces, acometendo todas maravilhosas expressões, macula a maioria das cores e escorrem para um vazio, alagando-o completamente.
Por meio a este fictício alagadiço ondeante e este céu imaginário, nasce em uma só reta, uma única linha, um traço, sem cor, sem nome, sem dom, sem raça... Sem cheiro sem graça...
À frente, o horizonte, uma fronteira entre aquilo que não vemos, com aquilo que imaginamos ver, onde passamos a nos voltar para dentro de nós mesmos, e é daí por diante que nos tornamos a experiência vivida, e passamos a nos abastecer em um mundo de recordações. Sendo que desta margem irreal acolhemos aquilo e aqueles que queremos ver, e resgatamos, colorindo-os novamente e lançando-os às nossas nuvens.
Este é o instinto de uma pescaria, os frutos desta arte, são meras conquistas, o prazer está em vasculhar procurando algo que não sabemos, ficando apreensivos por algo que ainda na conquistamos, mas sempre acompanhados da certeza de que aquilo que encontrar-mos, nos fará bem, mesmo que por poucos instantes. Até que voltemos a lanças as nossas linhas, ou redes ao nosso desconhecido.
Deste desconhecido florescem flores mórbidas que enegrecem todo ambiente, e uma luz límpida nos guia ao nosso próprio pesqueiro, a vida, da qual nos vemos vidrados, pois este ambiente, estas sensações, estes toques de vida e não vida, se formaram diante, perante e dentro de nossos olhos, cada qual com tua cor, tua crença, cada qual com tua dor, tua essência.

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