terça-feira, 21 de abril de 2009

Doadora de cerejas

Quando tu vês uma cerejeira, observa e repara que tudo aquilo é apenas uma árvore. Mas uma árvore que ali está como naquele papel discreto de uma peça de um teatro, porém quando as cortinas fecham, esta linda cerejeira encena a verdadeira história, em um verdadeiro cenário e principalmente, o tempo, em um tempo de magnífica floração da Primavera, de introspectividade do Outono, de vida e afeto do Verão, e da fragilidade do Inverno, porém há uma nova Primavera. Ela Vive.
Passamos momentos incríveis da vida, tornando-a inteira, e nós apenas nos queixando do que gostamos ou do que não gostamos, assim existindo e fazendo existir.
As flores desta cerejeira fazem existir, existem, e se apresentam e assim, repentinamente, passam de coadjuvante para uma das principais e comoventes encenações do ato, assim como as próprias cerejas. Já viste uma cerejeira? E suas flores?
As flores desta cerejeira que eu descrevo surgem em meus sonhos como presentes graciosos, e uma brisa, que movimenta sutilmente os galhos, as folhas e as pétalas destas lindas e encantadoras flores, que em um movimento praticamente hipnótico, me faz sentir o meu coração palpitar.
Meu coração, simpático e com uma ternura doce e calma, que apenas pode ser descrito com esse calmo e sublime movimento de suas pétalas. Pétalas conquistadas, cedidas e concedidas pela mais bela e encantadora doadora de cerejas.
O brilho do orvalho nestas cerejas, torna uma perfeita simetria, assim como uma única gota d'água, de uma lágrima de sorriso, de alegria, que escorre e torna mais vivo aquelas cores vivas e fortes que este fruto transpassa para aqueles que admiram-no. Tal sutil gota que reluz e brilha quando o caloroso sol vem a desvendar seus simples mistérios dos mais sigilosos.
Estas cerejas diferem-se das outras, apenas por ser uma em especial, simplesmente por existir e este vento e este sol só existem pelo simples motivo de haver esta cerejeira. Aliás, a magnífica doadora de cerejas.

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