(TRISTE POR ESTE TEXTO)
Certa tarde, eu estava voltando para casa, olhei para o céu e sutilmente a prateada Lua estava gigante, me olhando, sentei e comecei a pensar sobre uma mensagem que havia enviado, com todo o carinho, amor e saudade, podendo ser comparado como se escrevera em um pequeno papel e colocado com todo zelo comprimindo-o dentro de uma garrafa com todo o sentimento que queria demonstrar, esta garrafa poderia ser fechada com cortiça para que turbulência alguma afetasse o conteúdo da garrafa. Esta garrafa quisera eu colocar perante o mar com um pedido para que fosse entregue com todo amor que o próprio Mar testemunhara. Mas de alguma forma inesperada a garrafa se abriu.
O mar se encarregou de espalhar e acabar com qualquer sentimento e palavra que eu ousara em ofertar. O Silêncio e ausência se tornaram donos desta comparação.
Mas mesmo assim, “o Sol iluminava o tranqüilo lugar fazendo transcender a Lua... e eu com meus pés firmes neste horizonte, deixando-me levar entre os ventos e suspiros de saudade”, saudade esta que me fez novamente sonhar, e como diria uma eterna Luz “Sonhar, ah sonhar é bom!”, e com este sonho passei a desejar, “queria te tocar, queria viajar contigo, estar contigo como anjos vigiando-te e protegendo-te em possíveis lágrimas”.
Neste meu devaneio, voltei para casa e reli a última mensagem que esta garota me escrevera, e partindo de suas próprias palavras, e dos meus sentimentos verdadeiros, adaptei as sentenças, ousei em palavras e rascunhei em um papel. Um dos textos em forma de declaração mais intensos que eu pude escrever, eu sabia e sentia amor, carinho e saudade. Acho que se foi.
Este papel, voltei a pegar recentemente, entretanto com muita dor e tristeza. Acho que até com um pouco de raiva, mas sem saber os motivos. Em um ato de grande rebeldia, arrogância e agressividade eu amassei o papel e joguei no chão. Estava disposto a ajudá-la a me esquecer, assim como ela avisou que queria fazer.
Um sábio, ao passar um dia inteiro ao meu lado, me encontrou algumas semanas depois e me disse: “Caro jovem, eu me lembro de ti, observei-te demais naquela ocasião e pude perceber que você é um garoto com um coração bom, reservado, você se apaixona de verdade e ama em teu silêncio, mas o que mais me impressionou em ti foi a forma com que você está disposto a ajudar as pessoas que você ama, mesmo que estas nem saibam disto. Você as ajuda, em tudo e arrisco a afirmar que ajudaria até mesmo se esta pessoa lhe falasse que precisava lhe esquecer”. – O sábio não mais o vi, mas as palavras que me disse ficaram comigo e reavivaram naquele momento.
Lembro-me dormir e ao acordar as palavras: “Te esquecer seria impossível, pois alguns dias acordo e tenho a sensação de que o meu sonho foi contigo ou mesmo a vontade pertinente de voltar a dormir apenas para lhe encontrar”, tais palavras estavam latentes e vivas, como o sentimento por aquela garota.
Levantei-me assustado, voltei e peguei aquela folha toda amassada que eu desprezara antes de dormir e abrindo-a a palavra “palhacinho” me fez lacrimejar de saudade, dor da ausência. Vendo aquele papel todo amassado, e agora com uma gota de lágrima que fazia com que algumas letras ficassem borradas, mas ainda de fácil compreensão passei a perceber que o problema poderia ser eu. O problema para tanta dor, tanto a minha quanto a das pessoas que eu gosto que eu admiro e por que não para as pessoas que eu amo, simplesmente sou eu.
Abri aquela folha de papel, e tentei desesperadamente deixá-la novamente lisa, coloquei-a em meu peito e segurando-a com a mão esquerda passava de forma intensa a minha mão direita sobre a folha, suplicando com que ela pudesse voltar ao normal e por que não, nada daquilo pudesse ter ocorrido, entretanto era tudo em vão.
Procurei passá-la, prensá-la entre livros, porém nada adiantava. E creio que aprendi a preciosa lição: Eu poderia ter escrito o texto e guardá-lo, deixá-lo intacto, lindo e tão sublime quanto ao ter acabado de fazê-lo, eu poderia, ao receber a noticia que abalaria meus pensamentos, poderia dobrar a folha e deixar ainda guardado, para que as dobras nunca deixem se perder os sentimentos carreados pelas palavras que ali escrevi, poderia ter feito um coração, um pássaro ou mesmo um barquinho de papel e deixá-lo me levar, em verdade ou em sonhos, até a garota. Ou simplesmente, poderia, ter rasgado-o, queimado-o ou algo assim. A decisão era minha.
Com esta própria decisão, e agora ciente do ensinamento, me lembrei que escrevi aquele texto de saudade, com um carinho enorme e afeto indescritível e agora com algumas palavras ao final do texto, sendo as tais: “Hoje eu sei... para nunca mais”, conscientemente transformei o texto de uma declaração de amor para uma declamação de profunda decepção. E fui eu mesmo quem fiz esta escolha. Eu que acabei com o amor esperançoso de um texto, quem sabe o que eu poderia fazer com tudo a minha volta?
Este texto assim escrito seria perfeito para que um suicida nato cometesse o próprio ato, e deixasse tais palavras como jogadas em forma do que possa ter sentido e levado ao final possivelmente mais feliz, entretanto eu não faria como este possível desiludido, pois acredito que este final não seria mais feliz do que relembrar dela, dos momentos bons que eu tive com ela e das palavras que incentivam o meu coração bater: “Permanecerás viva em meu coração. Sempre e para sempre! Batendo forte a cada vez que eu me lembro de você.”
E ele não sorriu, olhou para o teu texto, releu a ultima sentença e novamente engoliu as próprias lágrimas.
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