Voei até a Lua e criei um mundo dentro de mim mesmo, criei poemas, sons, cenários com as palavras pelas quais eu brinco fazendo uma história que muitos queriam sonhar em escrevê-la, desenhei todo o contorno, todo o relevo e todo os mistérios, subi em colinas e desci em vales atravessei céus e infernos procurando retoques e novas cores, novas nuanças e esperanças.
Às borboletas dei-lhe asas e as asas forneci o movimento, fui sutil e suave com as nuvens e delicadeza eu depositei como em plumas. Coloquei em tudo o ardor de um soluço, a toda a inocência das lágrimas. Dediquei um toque todo especial para as coisas mais simples e para aquelas menos intencionais.
Descrevi caminhos, obstáculos, cavernas e templos, dentre cada qual todo o seu toque especial, de cor, vida e personalidade, coloquei as chuvas para pudessem limpar os cenários em aquarela, para que posteriormente pudesse tornar de cor com sorrisos que irradiam inúmeras cores por este que chamo de sol e que faz tudo florescer novamente.
Coloquei magos, magias, feitiços e encantos, dei nomes às estrelas, feições às flores, mas não me esqueci dos sonhos. E para cada sonho, desenhei cuidadosamente obstáculos para visualizar qualquer que sejam os cenários, para que assim se possa ter o livre arbítrio de realizar escolhas. Desenhei os ventos e dei-lhes vozes.
Criei a Luz, assim como dei vida às sombras, dei graciosidade aos Anjos e um tanto de audácia aos demônios e maquiavelicamente forneci âncora aos barcos, ninhos aos pássaros e amor aos viajantes.
Depositei toda confiança na afeição profunda, no objeto desta afeição, confidenciei ao conjunto de fenômenos cerebrais e afetivos que constituem o instinto afetivo aquilo que denominei AMOR.
Segui os passos de Manual Bandeira e coloquei a "Paixão dos suicidas que se matam sem explicação", mas não para se matarem, mas sim para se apaixonarem perdidamente, assim como o fiz.
Agarrei-me à saudade e a depositei em cada canto, em cada fresta e fenestra, em cada foto, em cada lembrança, em cada parte.
Por fim, depois de modelar em vida, postei-me a olhar os cenários, desfrutar dos sentimentos, sentindo todos os sons que foram derramados ao ar e caminhando cautelosamente pelo meu próprio olhar, perdido em uma charada desta história, deste mundo.
Por uma praia intacta pisei na areia suave, que não me irritava aos olhos, e me sentei defronte ao mar. E pelo último toque e retoque, coloquei o tempo. As ondas vinham e iam quando, com um graveto na areia, gravei Vinicius de Moraes: “Quero vivê-la a cada vão momento, que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure”, e tais ondas acabaram por levar estas palavras, dissolvidas à deriva por entre as lembranças que inquietam o coração.Postei-me em silêncio para decifrar o que criei e dentro deste Mundo, nasci.
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