quarta-feira, 3 de junho de 2009

Feliz Aniversário!

Não há nada além dos bolos, velas e festas. Nada além das diversas cores e encantadoras luzes. Nada além de sorrisos e alegrias. Nada que contagie e irradie como os misteriosos embrulhos e os divinos presentes. Não há nada disto. Há o silêncio.
Todo aquele fulgor característico, toda aquela expectativa desta data festiva, da comemoração desta data festiva e minimizado e passado por desapercebido pela ausência da pessoa que comemora esta tão especial data. Pela eterna distancia entre o coração daquele que sonha, que se ilude, que se torna estático apenas ao notar algo rotineiro que o chama atenção e o leva a lembranças, com o palpitar de um coração em que não se sente, que não se ouve, que não se nota, apenas se sonha.
Amor este que angustia, aquieta e aperta em um suspiro único.
Ainda mais, nesta data, o coração coordena os demais órgãos, e a emoção predomina sobre a razão, e conduz o corpo a percorrer pelas mais frias e desertas ruas, dita aos olhos procurar pelos cantos mais cinzentos daquela praça, e ao notar a locomotiva, estática como se estivesse esperando com que voltasse à vida, os a mente projeta uma ilusão onde, guiado pelos trilhos dos sonhos, esta locomotiva entregue o amor, que um dia havia me despedido.
Me congelo friamente, e este flagelo me acorda demonstrando que naquele cenário não há locomotivas de reencontros, a não ser um amontoado de ferro frio e gélido, estático, apenas um monumento, há vida, porém apenas do vento de uma noite que adoece os desprotegidos, e que nos trancafia em nosso casulo. Há o movimento da poeira e areia que irritam os olhos de quem custa a enxergar esta ausência tua.
Creio que não há embrulhos a não ser o meu abraço, que lhe envolveria, acredito que não há enfeites exceto o meu sorriso ao notar a tua real presença e o teu contato, o teu cheiro e os teus olhos, pelos quais eu costumeiramente sonhava, e me irradiava de tanta alegria. Não há presente maior do que fazer valer tudo aquilo que já foi dito, onde o amor não se postará a calar-se. E ao encontro do coração inquieto que freneticamente procura-te. Ao silêncio da tua espera.
Um feliz aniversário calado, quieto, mas não por esquecer-te, mas sim pelo receio de que o meu silêncio apresente-se tão desejado quanto qualquer outro presente que tu poderias receber.
Feliz Aniversário

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