quinta-feira, 23 de julho de 2009

Inverno

O calor de Verão irradiado pelos corações caem como imóveis sentimentos mortos em um Outono atípico, as flores de esperança são congeladas pelas gotas de lágrimas gélidas que queimam como fagulhas de um orvalho ao primeiro sinal de raios de luz de um certo astro-rei do amor.
As vozes soam como infernais palavras que nos ferem como metralhadoras destravadas e sem piedade, não há feridos sobreviventes, não há mais nada além daquilo que não conseguimos ver, ou seja, o nosso próprio abismo, a nossa própria escuridão.
O frio deste Inverno interno, que transpassa para todos aqueles que nos rodeiam, que querem nos amar, assim paralisa, sem nenhuma hipótese de ação ou de reação, só afastamento, de nós para com tudo o que nós criamos. Não há guerras, pois não há exércitos, não há nações, não há conquistas. Há um certo amor, aliás, crê-se que havia este certo amor. Que se foi. Ou não se apresenta mais.
Todas aquelas palavras de afeto que fizeram um rígido alicerce, em que nos embasamos para construir isto que denominávamos vida se esvaeceram ao conjunto de ventos, de diversas direções, de diversos nomes, de diversas origens e intensidades, que unidos geraram um devastador furacão que fez tudo cair em vazio, ao chão, onde apenas destroços foram deixados espalhados, formando um imenso quebra – cabeça de memórias sem nenhuma lógica de solução.
A confusão dos astros, dos deuses, das pessoas e dos seres, por mais que digam que a confusão das estações deste teu, que se diz teu ano, tua vida, teus sentimentos, não é entendido. Não há proteção a não ser não deixar que mais palavras, que jogadas ao vento se façam de armas, ou de redes que continuam a capturar traços de esperança, ou de angústia aos sonhos.
Por mais lindo que seja a vida, aparecem dias de inverno, em que sendo com raios de Luz que fazem brilhar e dar um ar tão romântico ao cenário, não aparece sonhadores para desfrutá-lo. Há apenas palavras que servem como proteção, muita proteção, ou mesmo a ausência de palavras para gerar a dúvida, que não derrete com aquilo que lhe esquentaria novamente, assim sufocando como avalanches, e eliminando qualquer vestígio de se reaver um sorriso.
Pelo tempo, tudo aquilo que vimos e presenciamos e vivemos somem e assim quando ao Inverno interior, por instinto passamos a ganhar singelas e eficazes asas, e assim como andorinhas passamos a partir em busca de um novo Verão, mesmo que tão distante, e pouco similar com o apaixonante local que passamos a chamar de Lar, porém que se tornou irreconhecível simplesmente pela gélida presença deste inverno.
Assim somente um persistente, um real apaixonado por aquilo que construiu e que ainda mantém aqueles sonhos, com a expectativa de um dia se tornar realidade, persiste, tece mais uma camada de amor, mais uma camada de esperança para acolher-se, e por que não encolher-se ao ponto de que o calor passe por despercebido ao frio intenso e assim possa ainda manter a chama daquele amor acesa. Para que ela sempre dure. Para sempre. Para sempre mais um.

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