O negro véu da noite delicadamente cobre todo o horizonte deste apaixonado, entretanto a Lua e as estrelas não trazem boas notícias, algumas vezes elas somem como se não conseguissem entregar o recado, são mais sentimentais e preferem se esconder de receio, fazendo com que se torne mais escuro ainda, criando a ilusão de que este véu passa a sufocar, asfixiar, o coração e a alma, todo este ser que ama.
Os olhos fechados, ou abertos, a escuridão é a mesma pelo simples fato de não haverem estrelas nem luas na mente, muito menos sentimentos iluminadores no céu. É a dor da saudade que aperta, retorce e estraçalha o coração, ou simplesmente um amor, que não se demonstra real?
“É mais importante saber que espécie de pessoa tem uma doença, do que saber que espécie de doença esta pessoa tem.”
Um amante, apaixonado literalmente, este é o paciente da vez, apresentando sinais e sintomas específicos, dores musculares, principalmente no músculo cardíaco, podendo apresentar arritmias, como se uma descarga sobrenatural de neurotransmissores atingissem o nodo sino-atrial e se disseminassem em impulsos elétrico fervorosos para os nodos atrioventriculares e uma forte contração de emoções impulsiona aquilo que designam a vida da circulação e a dor da emoção.
A mente se estagna, e inerte passa a flutuar, os olhos se abrem, se fecham, e as imagens que antes não passava, torna o escuro daquela cena, com uma imagem, um sorriso de vida em um túmulo onde enterramos um tempo já decorrido, as sinapses de lembranças passam a comandar.
O corpo padece, e tende a se manter em nostalgia, mantendo no estado basal ou de sonolência onde facilita todo o comando dos sonhos. Surge cenários já passados, pessoas já amadas, um castelo, dragões e tudo aquilo que o ópio e o ócio correlacionados ao profundo desespero de ver-te, tendem a demonstrar.
Todas as relações fisiológicas, tendem a ficar na mais estreita faixa com as severas alterações patológicas, fazendo assim os limites de imaginação da dor e de sensibilidade para o mundo se tornem incoerentes.
Apresentam-se uma visão diferenciada, onde tudo e todos são um só, toda vibração mecânica no ar, toda sensibilidade de mecano, noci e termoreceptores de toque sejam confundidos com nada daquilo que é real. A tua imagem ainda atormenta o paciente, que regride neste quadro, mesmo mantendo um grau de sanidade e de Glasgow normais, ou mesmo compatíveis para a vida.
Não sabemos nada do doente, não sabemos nada da doença, o que se tem são apenas palavras, pensamentos e imagens que me levam ao fármaco mais apropriado, entretanto este não é produzido em larga escala, muito menos apresenta-se em uma versão genérica, que considera-se falso, ou mesmo poderia apresentar um efeito placebo temporário.
Desisto de diagnósticos complicados, fujo de simpatias, mandingas ou muito menos técnicas de chantagem pessoal, opto por se tiver que sofrer deste mal, que sofra, mas que saiba você, único remédio e droga que exista, sendo que o que separa as duas colocações é a dose, sofrerei intensamente e por um período que será eterno até chegarmos a uma bifurcação do destino, ou me curo de vez e não necessito mais de doses, ou passo a ser completamente dependente.
Independente dos casos mencionados, saiba, não é por que não abri a tampa deste remédio, que não desejaria toma-lo. Apenas respeitei aquilo que a bula mostrava naquele momento.
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