Na neblina densa deste vale assustador em que se encontram, ou melhor, em que se perdem os apaixonados, tantos os devotos do estilo platônico de amar, ou mesmo aqueles que se encontram sem rumo, e sem destino, há vozes, que falam, sussurram o teu nome, dizem palavras boas, nos iludem em imagens vestidas de névoas caracterizadas pelo pensamento, são os sonhos, que e primeiro momento são bons por nos fazerem sentir um bem estar repentino, ligeiro e vago de que somos amados também, entretanto logo ficamos aprisionados e tão aficionados que nos enrolamos e imobilizamos nossos próprios movimentos pelas fitas de cetim do(s) nosso(s) próprio(s) sentimento(s), assim diriam os depressivos.
Os olhos descansados no travesseiro recebem os primeiros raios da ofensiva luz, e aqueles sons dos sonhos se tornam mais intensos e reais, nos chamando com vozes enfáticas e fazendo-nos refletir pensamentos distintos de uma forma unida, e vendo que todos os magníficos sonhos e desejos são impossíveis de realizar. E simplesmente culpamos o destino.
As imagens do dia, os sorrisos, a grandiosidade do nascer do sol, a sutileza da presença de uma flor, uma rosa em teu caminho, aquele sentimento bom, que nos afaga em saudades e lembranças, aquelas estrelas surgindo em um céu azul em tona alaranjados com a despedida do sol, e aquele sentimento de querer estar ao teu lado, compartilhar momentos e por que não, te ver logo alí, adiante, motiva as pernas a dares alguns passos na tua direção, fazendo assim esvaecer-se, como se fosses parte daquela neblina que assusta. Imagens na televisão, olhares, e outras cenas me fazem ter-te assim, e logo desaparecer como impossível.
“Impossível” a palavra que mais tenho escutado ao refletir no “eu te amo” que te digo, que te disse, e aqueles que eu queria dizer.
Impossível, não se vive em contos de fadas, onde sapos viram príncipes, portanto impossível ser príncipe, onde princesas são aprisionadas em torres mais altas, entretanto não há torres, mas sim a distância, impossível fazer com que uma “Bela” realmente se apaixone por uma “Fera”, por mais belo e sutil este conto de fada apresenta-se, viram-se as páginas, onde nunca se encontra no “Viveram felizes para sempre” (ou para sempre mais um) entretanto o livro se fecha, e com ele todas as imagens ficam apenas no olhar.
Não escuto mais dizeres que é impossível, não ouço mais você me dizer nem sequer um “Olá”, “Saudades de ti” ou qualquer palavra que seja, não escuto mais nada, nem os barulhos das cigarras dizendo que haverá uma chuva que limpará o meu horizonte, nem o som dos pássaros já me trazendo boas novas.
Não quero mais escutar óperas de melancolia, onde os instrumentos suplicam em choro todo o sentimento que o coração não consegue fazer exaltar. Nunca me esquecerei da tua voz, mesmo não conseguindo escutá-la, nunca me desapegarei da tua imagem, mesmo não conseguindo vê-la, não estará fora de meus planos sentir um abraço como aquele que senti antes, entretanto sussurro este texto para que os ventos soprem-no até ti, mas o mais importante é soprem com força de mim, e com ele, toda esta névoa e neblina que me impedem, hoje, de ver o mundo a minha volta saiam, e que eu possa me sentir livre novamente.
Desamarrado de amores, estas fitas de cetim estarão bem guardadas para o caso dos sonhos, onde você as pede para mim, simplesmente para me amarrar a ti, e assim construirmos, junto, todo o cenário e a história que pode se compor nas páginas daquele que descreveremos como nosso conto de fada.
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