sábado, 18 de setembro de 2010

Cante comigo

Ouça. Ouse. Inspire. Sinta. Escute. Encoste. Veja. Toque. Expire.
Observe a noite, quão linda ela está, pode não haver estrelas, pode não apresentar a Lua, mas o brilho incontido dos astros e de toda luz desta noite não está nos céus e sim dentro de teus olhos, que brilham de maneira incomum, neste silêncio propício ao aconchego.
Ouça esta música que se inicia, o som é forte, a poesia da letra se faz sentido, uma emoção explode deste som. Permita que eu toque delicadamente a música como se eu mesmo tivesse a escrito, e que nos toques em teu corpo você possa sentir a vibração de cada nota, a intensidade de cada toque, de cada sentido, como se eu fosse um pianista e deslizasse meus dedos firmemente em toda a extensão de tua alma.
Deixe que eu ouse em tocar notas quase nunca ouvidas, deixe-me inovar, seguindo o ritmo de uma nova música, música esta que passaremos a compor. Juntos.
Inspire fundo, encha teus pulmões de ar e deste perfume que toda a cena intimista permite desfrutar, inspire-se aos mais sublimes risos, gestos, toques e sentidos. Permita que eu assopre delicadamente neste mudo instrumento da alma, para que arrepios e desejos tomem seu volume e sejam perceptíveis. Sinta como se fosse meu sussurro da letra da música percorrendo pelo teu pescoço, pelo teu corpo.
Deseje sentir toda a música, como se fosse um sonho que se realize neste instante, peça pela sinestesia das emoções de estar em uma orquestra, ou um show particular, onde apenas você é a apresentação e, ao mesmo tempo, a expectadora. Sinta cada toque, cada nota, cada beijo, cada toque e cada “não toque”.
Enquanto a música é emitida, este “não toque”, intimamente perceptível, deve-se pelo “não encontro” dos lábios, que quase se tocam, entretanto uma leve distância entre eles aproximam e enlaçam os corações, permitem que os lábios se movimentem conforme a letra da musica, musica esta que você nunca ouviu, mas que peço que permita que eu lhe ensine a cantar, seguindo o movimento dos meus lábios que não irão lhe beijar, até então.
Os lábios se encostam sutilmente como pede a ocasião, mas o beijo não interrompe o progresso da música, que nossas mãos, pele, sentidos tocam, muito menos a musica que nossos olhos que se fecham por incontáveis instantes e repentinamente se abrem, revelando o mais profundo desejo de que toda a cena não acabe, mas que o beijo silencie o ambiente e deixe em fulgor todo nosso interior.
Deixe-me tocá-la, em tua face, em teus lábios, em tua nuca, em teu corpo, deixe com que meus dedos possam passar pelas linhas de teu corpo como se fosse um lápis ou uma caneta, onde o desenhista se enlaça pelas curvas que um dia sonhou em sentir. Que meu toque transcreva todo o sentimento que eu quero traspassar.
Permita que lhe toque até teu coração encher de emoção e sem espaço em teu peito, lhe faça expirar. Que expire todo sentimento incontido, com tua pele, teus olhos, tua boca, tua ofegante respiração, todo sentimento incontido naquele “não toque” mais intenso que uma música poderia lhe causar. Expire e me abrace. Beije-Me. Cante comigo.

Um comentário:

  1. Ainnn sem comentários para este texto...Tu sabes o qto ele me cativou e me tocou lá no fundinho do coração né..hahaha...É lindíssima a forma como escreves...parece q cada letrinha vai se encaixando a outra e se transforma numa palvra,numa frase e por si só num texto fantástico como este!!!
    Amei *-*
    Um bjo enorme no coração meu amor!!Teka

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