Certa fábula narra a terrível e apaixonante história de um Sol, onde este Sol se apaixonara por uma Lua, assim como distâncias incontáveis os separavam, o Sol sempre despertava, e fazia e florescia as maiorias das manhãs, todo aquele encantamento de esperança que rodeia os apaixonados, onde ele preparava todo o cenário, com a expectativa de que naquele dia a encontraria. E assim o fazia todas às vezes, todos os dias, ou em grande parte deles.
Transpassava o horizonte, as linhas imaginárias do homem, ofuscavam os olhos dos seres, esquentava os corpos, fazia alegria e irradiava vida às plantas, e ao final do teu dia, mesmo percebendo que aquele dia não mais a veria, deixava seu expediente, com o mais magnífico por do sol, como se fosse um convite, um bilhete de recado para a tua amada, que posteriormente reinaria naquele mesmo cenário, acompanhada de inúmeras estrelas.
Assim se prosseguia, as nuvens acalmavam as suas lágrimas de dor, os ventos dispersavam os seus gritos de ódio. A chuva fazia a desaguar tuas mágoas e tua solidão, que enchiam lagos, corriam rios e o refletiam naquele instante, e ironicamente, a refletiam posteriormente..
Algumas vezes se sentia feliz, havia encontrado o teu amor, assim ficava mesmo que por alguns instantes, mesmo que por um eclipse, mesmo que assim colocasse o desespero daqueles que temem as sombras, sombra esta que nem percebia que apagava o mundo, e o dia de Sol, se apagara com a Lua, sua amada.
A luz que ele irradiava se concentrava como em um abraço mais do que apaixonado, a tua Luz, que por algumas vezes era amada de verdade, e não invejada por entre todas as estrelas. Era o amor.
Ela triunfante sobre o negro da noite, maestrava as idas e vindas das ondas, fazia com que as marés beijassem cada vez mais as areias, fizessem com que os poetas ofertassem poemas, e os amantes desejassem mais uma noite. Assim era a dedicação dela ao Sol.
Ela, por muitas vezes sorridente, pois também mantinha a esperança de encontra-lo, assim como algumas vezes se colocava a chorar, e ao seu horizonte, como travesseiro, desmoronava aos prantos, e ao cair da noite, sempre amparava-se pelos raios acolhedores do Sol.
Algumas noites solitárias, a Lua murmurava palavras de amor onde cometas se faziam de seus mensageiros procurando por notícias dele, algumas estrelas se mantinham a brilhar tão intensamente, para deixar os recados da apaixonada Lua, ao todo imponente fragilizado Sol.
Assim a história diz. Constantemente o sol ilumina a Lua, para guiá-la e mostrá-la que ele a ama, e ela fica envergonhada, e nem se mostra, em outras circunstâncias demonstra um sorriso sublime e encantador. Outras vezes fica cheia de orgulho e apresenta feliz, radiante pelos raios de amor. As lembranças fecham as fases, com uma saudosa despedida.
Assim narrava esta história...
Distante ainda há amor, mesmo que em algumas vezes este amor ao se encontrar apague tudo ao redor, há aquela chama que ascende o coração, e o faz crer que todos os caminhos percorridos ainda o fará lembrar da amada.
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