sábado, 17 de janeiro de 2009

Um diálogo, monólogo análogo simplório.

Pois bem, vamos lá, “saibas que eu gosto de você... Isto mesmo, lembre-se que embora tudo aconteça errado, no fim há sempre um final feliz e lembre-se que se isto não ocorrer é por que ainda não chegou ao fim!”. Vitor, não fiques assim.
Não fiques angustiado, triste ou cabisbaixo, por pior que aconteça as coisas, onde se encontra aquele Vitor alegre?
_ Fugiu, sumiu, desapareceu, simplesmente não está!
Onde está aquele Vitor que faz as maiores loucuras, as melhores piadas e no fim nem nota que ficou mais louco ainda?
_ Pendurou-se pela própria língua e padeceu sobre as próprias risadas, quer loucura mais sarcástica?
Calma Vitor! Eu procuro aquele Vitor, aquele pirado que surpreende a todos, e a mim próprio (sei que a correção ortográfica não aceita esta expressão, mas quem manda no meu texto sou eu e ponto), olhe no espelho, me veja, se veja, e juntos daremos aquele maravilhoso sorriso.
_ Não posso!
Por que não?
_ Não escovei os dentes! Bafo, caatinga, pior que o pântano em que idealizo estar vivendo!
Isto já sinto sofrer uma interferência, um humor matinal, dotado de criatividade, percebo que agora sim podemos conversar, vou lhe narrar uma história, ou melhor irei inventar uma história, lhe peço uma coisa, não me interrompa.
_ Tudo bem, pode contar com o meu silêncio, mas se a história for ruim, pode ser que eu volte a dormir!
Não irás dormir, o personagem serei eu, não dormirias em uma história em que estivesses participando.
_ Vai ter dragões, vilões, mocinhas (de preferência bonitas, e outros atributos) tiros, guerras, paz, cenários bonitos, ou serafins?
Sim, haverá todas as características, haverá poemas, poesias, ilusões e quem sabe magias. (comecei a rimar).
_ Comece então! Vamos!

Pois bem, Um garoto...
_ Eu?
Lhe pedi para não atrapalhar! Pois bem, continuando... Um garoto que estava nascendo, mas já estava vivo há um bom tempo, ou vice-versa...
_ Não entendi!
Creio que você, nem o leitor desta história entendeu, mas irei prosseguir, pelo fato de que no final irás descobrir a essência desta frase, ou então esqueça!
Um garoto, que brincava com o tempo, com as pessoas, com a alegria, com os sorrisos, era um dotado de sentimentos, sabia se expressar, contar causos, elogiar, aprendia as coisas e usava-as, brincava com as palavras tecendo em tua simples harmonia os mais sublimes poemas e poesias, assim como o vento retira a flor para dançar, ele retirava as pessoas para sorrir, e elas se sentiam bem. Um garoto.
Assim como eu ouvi um jovem sábio pronunciar em suas idéias:

Poeta? Eu? Não...
Apenas brinco com as palavras
Ordeno-as e despejo
Muito sentimento...
Para isto nem vejo
Nenhum tormento...
Apenas brinco com as palavras
Um brincalhão, assim sou.
Apenas brinco com as palavras
Assim como o destino brinca com as dores
Como a distância brinca com os amores
Como o tempo brinca com a razão
E os olhos com o coração...
Poeta? Eu não...
Apenas brinco com as palavras!
(não vou mais narrar-lhe o poema, pois ainda não o dei um nome, e muito menos não acabei esta obra).

Pois bem, um garoto.
Um dia este calou-se, mas não por falta de palavras, por falta de sensações, de reações, de idéias e sim pelo excesso delas. Contemplou-se e deparou-se com uma imensidão de sentimentos, que não havia descrito, aprendido, ou mesmo sentido antes, era novo, puro, desconhecido, mas glorificante. Apenas apreciou.
Procurou ao seu redor algo que poderia descrevê-la, olhos em toda a tua volta e encontrou, mas não disse.
_ Já sei do que está falando, de uma princesa!
Um silêncio me ajuda, por favor! Mas foi isto mesmo, uma princesa, se deparou com uma beleza que o fez sentir diferente e assim relatou:

“Pousou sobre meu mundo, suave como uma borboleta
Como esta pousa sobre uma pétala de uma flor...
Porém forte e intensa, de presença marcante e conquistou...
Neste meu mundo já tem uma rainha...
Uma nova rainha que poderia substituir qualquer já pré-existente...
Esta te conquista, te ilude, mas te faz voltar a sonhar...”
(O resto foi restrito pela princesa!)

Havia um céu, milhares de estrelas, muito brilho, uma pupila, uma lua radiante, cheia e inconformada com os verdes olhos desta garota que a refletia aqui da terra. Um garoto. Que não se sentou à cadeira, pois estático ao lado desta princesa se sentia bem, sem frio, estava vivo, iludido, sonhando e amando o que via, não prestou muita atenção na conversa, havia mais pessoas, mas para ele apenas as estrelas, o céu e a princesa.
_ Está bem, mas onde estão os dragões, os vilões, tu apenas me descreveu o cenário, a mocinha e o mocinho – aquele garoto – mas...
Agora quem lhe interrompe, sou eu... Continuando, assim como é mágico o abrir de pétalas de uma flor quando esta percebe a primavera, se tornou estático e permanente o sentimento que havia naquele local, que houve naqueles dias, nas palavras, nos olhares, nos gestos e por fim, pelo fim e somente fim, pelo abraço.
No decorrer disto, apareceram os vilões, diversos, milhares, uma imensidão deles, um exército, descreverei o nome dos batalhões, um apelidou-se de Distância, era impiedoso, forte, detinha e destruía qualquer possibilidade de tentativa, ou mesmo qualquer pensamento de investida, qualquer idéia de um passo a diante, lhe empurrava dois para traz.
O outro vilão, não se compunha do exército, não demonstrava ter aliados, era um único, porém era temido, era cruel, e tinha um poder e uma precisão que derrubava qualquer pessoa, com apenas um golpe, e não por menos denominaram-no de Saudade. Este se torna mais grandioso com o passar do tempo, o mesmo tempo com que este garoto brincava.
O céu não estava mais lá, a lua sumiu na escuridão de uma tristeza sem tamanho, levando consigo as estrelas que guiavam os amantes e apaixonados, os verdes olhos eram lembranças, uma fiel aliada do garoto.
Sabes o que é um soneto?
Garoto, Vitor... sabes o que é um soneto?
Vitor?
_ Ah! Sei sim. É que pensei que não era para interrompê-lo, a história está interessante.
Pois bem este soneto:

“ Garota e seu você´

Estou amando
Uma garota que não vejo
Vivo sonhando
Esta pessoa que desejo

Estou flutuando
Em um mundo que não conheço
Sempre cantando
Uma música que não esqueço

O que posso fazer, querer, sonhar
Se é somente você
A quem desejo amar?

Quem posso sonhar, desejar, querer
Se o ´seu você´ que me faz pensar
Enfatizando que é contigo que quero viver.”
(A métrica se mantém, mas não chega perto de Vinicius – o ídolo).


Não houve mais conversa, aliás houve sim, conversas no silêncio, muito mais conversas no silêncio do que ao falar, mesmo por que não havia o que falar, era só sentir, o garoto ficaria tempos e tempos olhando para ela, sem falar nada, ou mesmo só pensando no que falar, mas não poderia!
Havia coisas a falar! Havia sentimentos a se expressar, havia.
Até que apareceu, uma noite, não havia os verdes dos olhos, em primeira instância, não havia lua, estrelas, muito menos o céu, no escuro fez-se brilhar uma voz, um “Eu te Amo” com uma das mais lindas angustias, com a mais travadas das vozes, com o melhor dos adjetivos vindos ao poder dos homens, poetas e brincalhões, trouxe consigo as luzes das estrelas, o brilho da lua, a dúvida de uma pergunta.
Era ela – princesa.
Descobri que:

“Procuro uma flor perante um dia de chuva
Reparo em uma lágrima que de um rosto se enxuga
Busco um novo sabor em uma mesma fruta
E o vento nos traz um som que não se escuta
Vivemos numa vida em que nada se desfruta
Procurando uma rima para uma nova conduta

Vejo uma luz nesta noite obscura
Nos vendo presos como um quadro em sua moldura
Um grito que o som não perdura
Uma doença que não se procura cura
Este antídoto que não se procura”
(Era o amor)

Ouviste? Este som é o som do batimento do coração, um batimento nada normal, um batimento natural, um batimento desreguladamente sadio, um batimento de paixão, aliás, de amor.
_ Por que você diferenciou paixão de amor?
Caro Vitor, a paixão foi o que sentiste ao ver a lua, e as estrelas perante aqueles olhos brilhantes, e o amor é o que viste ao ler aquela mensagem com o nome dela.
Posteriormente, houve diários (não gosto que se trate aquele arquivo como um diário, apesar de ter sido escrito por vários dias), pois bem melhorarei houve mais e mais sentimentos, sentimentos bons, ruins, que independente das formas, cores, e razões eram sinceros e verdadeiros.
Houve um “Menina Linda”,e um “toc toc”, onde ambos estavam lá, dentro deste garoto, vivo, latente, e este voltou a brincar, com palavras (assim como já puderam notar), mas sorrir? Não muito, sorria, “com a face, um sorriso no rosto é fácil, porém o sorriso no coração, este sim é difícil”. Amava!
_ Um momento! Creio que agora posso intervir, posso continuar a história, ou pelo menos falar... Esta sentença não deves ser lida no passado, é no presente, hoje, agora, AMO-A.
Pois bem, continue se achas capaz.
_ Então, a garota estavas lá distante e tão perto, ao fechar os olhos eu a via, sentia perto de mim, foi só eu pegar novamente a minha blusa de frio que eu senti o cheiro dela na minha blusa, naquela blusa que pedia sono, que pedia sonho, que pedia ela novamente.
_ Era especial, mas uma chuva levou toda a parcela da princesa que eu tinha comigo, só me restou o nome, um papel, uma lembrança.
_ Tempos posteriores, afirmo que com o sentimento oscilava, ficava forte, fraco, a destino me pregava peças, apareciam garotas, lindas garotas, havia atração, mas ao fechar os olhos para um beijo, me vinha um rosto, me vinha um gesto, um perfume, e um sorriso, como se fosse isto mesmo o correto a ser feito. Não entendia, não compreendia, vivia.
_ Um sentimento me tomava conta, era a saudade aquele vilão certeiro que conseguia, com o auxilio do batalhão da distância, de longe me acerta e fazer doer, com aquele tiro certeiro, no coração (mediastino médio).
_ Assim chego neste estado inicial do texto, cabisbaixo, ela recebe minhas frases, meus argumentos, meus sentimentos,e como uma princesa em seu devido rigor, condena-os a ficar confinados, dilacerando o autor dos feitos para ficar em um poço escuro, imerso, e sem luz.
Vitor, você distorceu a minha história romântica, sei eu sei que isto tudo que disse é verdade, ambos sabemos, todos os personagens deste texto sabem, creio até a princesa sabe, mas voltarei a minha linha de raciocínio, seguindo do ponto onde tu paraste. (demonstrando a minha total capacidade de criatividade).
Neste poço, havia uma característica boa, a escuridão era clareada pelo sol, e posteriormente a lua passava delicadamente por cima, como se desfilasse exuberante para o garoto – para nós. Podíamos admirá-la, podíamos. E assim o fizemos por diversas vezes. E sonhamos.
_ Vitor, e ainda sonhamos.
Isso mesmo, ainda sonhamos.
Se aquela frase inicial não estivesse lá diria que não sonhamos, temos visões, agora podes me perguntar o motivo daquela frase.
_ Isso, por que dela estar lá no começo?
Por apenas um motivo, óbvio, se a colocasse no fim, tu lembrarias da frase com uma grandiosidade tremenda que esquecerias da história, assim ela estando lá ao início, quem se lembra dela? Creio que tu mesmo, não se lembra dela, não se lembra do que sentia, daquele marasmo, daquele tédio!
Vamos juntos ao espelho sorrir?
_ Vitor, não me lembro mesmo, foi uma grande jogada tua colocar assim este texto, mas não é pra tanto aquele sorriso ao espelho, ainda tenho bafo! E outra, não calei meu sentimento, mesmo não compreendendo-o. Divulguei-o. Apresentei-o para a guria que mais amo, aliás, para a guria que amo (pois só há uma a quem eu dedico este sentimento)...
Eu sei, lhe ajudei nisto, apresentou, mas pelo motivo de amá-la e de mostrar pra ela isto, mostrar que não irás esquecê-la, e que desejas, que se ela encontre um novo cara, que este tenha um pouco, não todo, do seu sentimento por ela, estás triste pois ela não o compreende, e se compreende, não o corresponde.
Talvez ela sim esteja seguindo a frase, daí cabe a ti entender e compreender!

_ Vitor, sábias palavras. Garoto!
Voltes a dormir garoto, voltes a sonhar!

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